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Sob o signo de uma promessa a São João Batista, o boi-bumbá Garantido foi criado em 1913, na região histórica da Baixa do São José, uma Vila de pescadores. Seu criador Lindolfo Monteverde, caboclo, descendente de negro seria o amo do boi. Lindolfo nasceu em 1902, e faleceu em 1979.
No dia 12, tradicionalmente acontece à saída do boi, que ganha às ruas para comemorar a data com o alvorecer, acordando a cidade.
Outra data importante, é o dia 24 de junho, dia dedicado a São João Batista. No antigo curral, na avenida Lindolfo Monteverde, é realizada a ladainha com devoção ao santo da promessa, que inspirou a criação do “boi do povão”.
Em 43 festivais, foram 27 títulos. O primeiro festival foi realizado em 1965. No ano de 1975 aconteceram dois festivais folclóricos. O primeiro foi promovido pela Juventude Alegre Católica(JAC), na quadra de Esportes do Ipasea, na rua Jonathas Pedrosa, onde está instalado o Centro de Atendimento ao Turista(CAT), local onde tradicionalmente acontecia a disputa. O segundo foi organizado pela Comissão Central de Esportes(CCE), no Parque das Castanholeiras, hoje quadra de esporte Padre Silvio Mioto, na rua Sá Peixoto, reduto do boi Caprichoso. Nesse ano, o Garantido venceu os dois festivais, segundo relata o historiador Tonzinho Saunier, no livro “Parintins – Memória dos Acontecimentos Históricos”. A década de 80 foi de glórias para o boi-bumbá mais querido do Brasil. Em 1980 o artista plástico Jair Mendes , idealiza o titulo inédito do penta. Nesse período é introduzido os movimentos no boi-evolução. Foram três anos de vitórias nos festivais realizados até 1982, no Estádio Tupy
Cantanhede e os dois seguintes(1983/1984),no Anfiteatro Messias Augusto, onde está construído o Bumbódromo. PADRINHOS FAZEM A HISTÓRIA DO BOI GARANTIDO.
Nos vários escritos que relatam a história dos bois bumbas de Parintins, afigura do padrinho dos bois, ganha destaque em um capítulo do Livro do escritor parintinense Basílio Tenório, Cultura do boi-bumbá de Parintins teoria da sua história. Homem de muitas memórias que se constitui em um acervo vivo da cultura local, Basílio Tenório cedeu trechos que reproduzimos neste espaço. Se o primeiro entre os fundamentos do auto do boi é a exaltação, que faz bem à vaidade, entende-se que o rito do boi serenando no terreiro também contribuiu para o surgimento da figura do padrinho do boi. Vivia-se o apogeu do momento econômico proporcionado pela juta, trazida pela imigração japonesa dos anos1930 no Amazonas, uma dádiva do Instituto da Amazônia através de Ryota Oyama, o ilustre colono japonês. Depois da segunda guerra mundial, a exemplo dos japoneses que ficaram na região do médio e baixo Amazonas e que enriqueceram produzindo a fibra de juta, muita gente fazia o mesmo. Mas poucos o faziam com planejamento adequado. Entretanto, o comercio da juta apresentava os primeiros capitalistas emergentes e, nesse universo restrito aos vitoriosos, fazia surgir os primeiros novos ricos de Parintins. Foi justamente do meio deles que surgiu a figura do boi. Os padrinhos do boi, naqueles idos, eram homens de muito prestígio na comunidade. Homens ricos, mas riquezas de origens distintas. Os padrinhos do Caprichoso descendiam dos coronéis, herdeiros dos proprietários das melhores e mais bem localizadas terras, que se estabeleceram no centro da cidade e se estenderam para o bairro da Francesa. Eram os brancos, a chamada elite de Parintins, também herdeira do poder político, dos melhores empregos, dos serviços públicos essenciais e do prestígio na cidade. Portanto, suas posições sociais, bem como as suas riquezas não vieram da juta. Já os padrinhos do Garantido, vieram dos emergentes por força da fibra de juta, justamente os novos ricos de Parintins. Espertos como os japoneses, eles sabiam que para agradar àqueles produtores que abarrotavam os seus armazéns com a fibra de juta e porque gostavam mesmo de brincar boi em São José, e ainda porque tinham dinheiro para gastar, adotaram o Garantido.
No universo folclórico da cultura do boi-bumbá de Parintins eram os padrinhos do boi pagavam a conta ofertando dinheiro, em espécie, aos donos dos bois.Quando não, convidando o boi para apresentações completas em seus terreiros pagando alto pela língua, oportunidades em que convidavam toda a vizinhança e,principalmente, a criançada à participação. Além disso, também ofertavam os bois para a churrascada, para o povo e brincantes, quando nos festejos de matança do boi. Eles tanto patrocinavam como amavam o boi afilhado, e tudo por conta da exaltação poética no rito do boi serenando no terreiro. Era essa a sublime contrapartida, o algo bom que lhes afagava as vaidades. Foram os mais
importantes padrinhos do Boi Garantido , os ditos institucionais: Osmar Faria, Aldenor Teixeira e Antonio Maia.
Do Boi contrário : Comendador Renato Baptista, José Nossa Filho e Raimundo Dejard Vieira. Mas além dos registros históricos, algumas personalidades que estão no boi há mais de 50 anos, têm uma história sobre padrinho do boi, no qual relatam nos menores detalhes, situações que envolveram essa figura. O próprio Osmar Faria, padrinho honorário do Bumba vermelho e branco relembra como eram as saídas do bumbá, quando o Garantido saia às ruas nos áureos tempos era imperativa a parada do Garantido para brincar na casa do padrinho. Rufando a cuíca. Os brincantes do boi da Baixa de São José, relembra, eram “ funcionários que trabalhavam comigo no plantio e extração da juta”,entre eles destaca-se a figura do chefe dos vaqueiros da fazenda ,saudoso Amâncio Rolim”. Basílio Tenório, reafirma essa situação dos padrinhos quando relembra de Antonio Maia, grande empresário do extrativismo da essência do pau-rosa. No mês de junho, o padrinho Antonio Maia, largava tudo: as usinas de pau rosa, para descer e brincar o boi bumba garantido da Baixa de São Jose. Para Graça Faria, que retorna ao boi na década de 70, a figura do padrinho do boi, é relembrada na infância, quando o boi de pano ia brincar em sua residência na Rua Paes de Andrade.Segundo ela, os padrinhos ajudavam a comprar o “ couro” para confeccionar o boi da época.
Para o ex-apresentador Paulinho Faria, a história que emociona é dos padrinhos de Festival: Em 1976, quando o Festival folclórico era realizado na Jonathas Pedrosa, onde funciona hoje o DETRAN, na Quadra da JAC, o padrinho foi o artista Jair Mendes. Naquele ano, quando por provocação de uma torcedora do contrário, que falou que o boi iria urrar”. A informação foi repassada imediatamente ao artista Jair Mendes , então padrinho do boi. Nessa noite, Jair Mendes preparou um ferro comas iniciais JM e na hora em que o boi recebeu o ferro quente, urrou e saiu fumaça do local onde ficaram as marcas .
Naquela época, quando os sons da quadra eram retransmitidos por auto-falantes, no momento do urro do boi , a galera vermelha e branca foi ao delírio e numa explosão de alegria e emoção..Foi uma passagem muito especial, que marcou para mim, com referencia a figura de padrinho do boi,no meu entender inesquecível, finaliza Paulo Faria.
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